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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O Rede Wiccano: História, Origem e Significado

O Rede Wiccano, frequentemente citado como a base ética da Wicca, é amplamente conhecido por sua fórmula central: "Sem prejudicar ninguém, faça o que desejar" ("An it harm none, do what ye will", no original em inglês). Apesar de sua popularidade, há muita confusão sobre sua origem, autoria e associação com diferentes tradições dentro do paganismo moderno.

O Poema “The Rede of the Wiccae”

O texto apresentado como "The Wiccan Rede" é, na verdade, um poema intitulado “The Rede of the Wiccae”, escrito por Lady Gwen Thompson na década de 1970. Ele foi publicado pela primeira vez na revista The Green Egg, uma publicação influente no cenário pagão. Gwen afirmou que o poema foi inspirado por tradições de sua família, conhecida como Craft N.E.W.C., e ampliado para incorporar aspectos populares na Wicca da Nova Inglaterra colonial e no início do Craft moderno.

Esse poema se tornou um guia ético e ritualístico amplamente difundido, especialmente na Wicca e em tradições derivadas. Contudo, ele não é oficialmente parte das tradições Gardnerianas ou Alexandrinas, principais correntes da Wicca. É importante destacar que essas linhagens têm raízes mais antigas e seguem outras formulações éticas e rituais, muitas vezes considerando o poema como uma adição pós-Gardneriana.

Diferença entre o Poema e o Rede Original

O Rede Wiccano original é muito mais conciso e foi inspirado nos ensinamentos de Gerald Gardner, fundador da Wicca moderna. Ele se limita à frase central: "Sem prejudicar ninguém, faça o que desejar". Essa orientação se alinha com a ideia de liberdade pessoal, desde que as ações não causem danos a outros ou a si mesmo.

Já o poema “The Rede of the Wiccae” expande essa ideia, adicionando conselhos sobre fases da lua, celebrações sazonais, uso de elementos naturais e a observância da Lei Tríplice, que estabelece que toda ação retorna ao praticante três vezes mais forte, seja boa ou ruim.

Controvérsias e Influência

Apesar de sua popularidade, o poema enfrenta críticas em algumas tradições Gardnerianas e Alexandrinas, que o consideram inconsistente com os ensinamentos originais. Além disso, sua ampla disseminação, em formatos como joias, calendários e imagens artísticas, contribuiu para confusões sobre sua autoria e status dentro da Wicca.

Como resultado, há um debate contínuo sobre a validade do poema como parte integral da Wicca. No entanto, ele é amplamente adotado por praticantes de tradições mais ecléticas e por aqueles que seguem linhagens modernas, como o Caminho da Bruxa Solitária e a Wicca Diânica.

Significado do Poema

Independentemente de suas origens controversas, o poema “The Rede of the Wiccae” captura a essência da espiritualidade Wiccana para muitos praticantes. Ele enfatiza a harmonia com a natureza, o respeito pelos ciclos sazonais e lunares, e a responsabilidade pessoal em todas as ações. Através de seus versos, o poema oferece uma visão poética e prática para quem busca seguir um caminho ético e espiritual.

Conclusão

Embora o Rede Wiccano original seja uma instrução ética simples, o poema “The Rede of the Wiccae” contribuiu significativamente para popularizar e enriquecer o entendimento do público sobre a Wicca. Seja como guia ritualístico ou inspiração poética, ele permanece uma peça importante na história do paganismo moderno, conectando tradições antigas com práticas contemporâneas.

Abaixo segue uma tradução do poema:

O Rede dos Wiccanos

Cumpra as leis dos Wiccanos, com amor e confiança a guiar,
Viva e deixe viver, dê e receba com o mesmo pesar.
Trace o círculo três vezes, para o mal afastar,
Amarre os feitiços em rima, para o poder elevar.

Com toque gentil e olhar brando, fale pouco, ouça com paixão,
Dance sob a lua crescente, cantando a Runa da Invocação.
Siga a lua minguante, entoando o Canto de Banimento,
Quando a lua nova surgir, beije sua mão com sentimento.

Ao pleno brilho lunar, busque o desejo de seu coração,
Acolha o vento do Norte, trancando portas com precisão.
Do Sul vem o beijo do amor, doce como a canção,
Do Oeste, descanso às almas; do Leste, a celebração.

Nove madeiras no caldeirão, que ardam lento ou veloz,
Sabugueiro é da Senhora, queimá-lo trará algo atroz.
Com a roda girando, Beltane se aproxima no ar,
Quando Yule chegar, o Tronco ao Cornudo vai honrar.

Flores, arbustos e árvores, abençoados pela Senhora estão,
Jogue uma pedra na água, e a verdade virá à sua mão.
Se em necessidade estiver, não ceda à ganância alheia,
Com ferramenta fora de hora, não confie, pois se alteia.

Alegres encontros e festas vibrantes, iluminando cada rosto,
Siga a Lei Tríplice sempre, retornará o bem ou desgosto.
Quando o azar lhe pesar, use a estrela azul em sua fronte,
Seja fiel no amor, ou pagará caro à sua fonte.

Nestes versos reside a sabedoria e a vontade,
“Sem prejudicar ninguém, faça o que desejar, com liberdade.”


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